#107 – 17 de Abril

A colossal estrutura de madeira balançava com as vagas sob o brilho tênue da lua nova. O uivo da brisa marítima atravessava as fendas da madeira pútrida da embarcação envolta pela névoa prateada.

As mãos já estavam em carne viva quando finalmente terminou de içar a âncora coberta de ferrugem. Uma mão pestilenta alcançou-lhe o ombro. O cheiro de peixe podre causou-lhe náuseas. Virou-se em espanto.

– Nenhum homem pode navegar o Holandês Voador. – Vermes se debatiam no rosto do capitão decadente.

Passava de meia-noite. O navio partiu contra o vento. A criatura dissolveu-se em névoa.

– Eu não sou um homem. – Ela pôs-se de pé.

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