#02.024 – 28 de Fev

“Agora não”. Foi o que pensou quando o aroma adocicado invadiu seu cubículo no escritório. Por alguns segundos, gaguejou ao telefone com um cliente importante. E o cheiro de foi.

Veio a segunda vez em um almoço de negócios. Perdeu o fio da meada em mandarim, atrapalhando a conversa com o sponsor. Ordenou que o perfume o deixasse em paz e assim ele o fez.

Então ele veio uma terceira, quarta e quinta vez. Não era uma boa hora. Nunca era. Se livrou do odor ilusório mais uma vez com uma palavra de ordem.

Chegou na imensa casa, banhou-se e jogou-se na cama de qualquer maneira. Estava exausto. Uma gota involuntária percorreu seu rosto. Não era sono. A ausência deixava tudo excepcionalmente vazio.

Desejou aquele perfume tão familiar, mas ele nunca mais veio.

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